quarta-feira, 26 de abril de 2017

Eu vi: fim da TV analógica em São Paulo, ‘Massarico’ com S, TV Cultura adere à tela panorâmica e franquia “Shrek” na Band e Globo




Mudanças e coincidências.


O Eu vi de hoje é marcado pelo fim da TV analógica em São Paulo, a adesão de rede pública de televisão ao formato de tela HD, mais um erro de português e a mesma franquia de filmes exibidos em emissoras diferentes.


São Paulo agora é apenas digital


Cartela informativa sobre o desligamento analógico. | ilustração: LAYON YONALLER



No dia 29 de março de 2017, a principal cidade brasileira e o mais importante mercado publicitário do gênero – São Paulo – encerraram suas transmissões de televisão analógica. Como disse Pedro Bial em 1991, “na penumbra, sem hinos, sem cerimônias, sem homenagens”, as principais redes (Globo, SBT, RecordTV e RedeTV!) deram fim a suas emissões:







A cidade onde nasceu a televisão no Brasil há quase 57 anos encerrou suas transmissões de repente. Assim, a RecordTV (inaugurada em 1953) foi a emissora que ficou mais tempo no ar pelo canal 7 VHF analógico. Para se ter ideia da importância ignorada este ano, em 20 de setembro de 1950 ia ao ar – com festa e pompa – a TV Tupi pelo canal 3 (depois canal 4) trazida pelo então magnata da comunicação Assis Chateaubriand (Observação: vídeo sem áudio):






Calendário – O que chama atenção é que, ao contrário de Rio Verde (Goiás) e Brasília (Distrito Federal), São Paulo e região fez seu switch-off dentro do cronograma estabelecido. ATENÇÃO: as regiões de Goiânia e Anápolis serão as próximas a fazerem o desligamento de seus sinais televisivos em 31 de maio de 2017 às 23h59.


Emissora pública adere à tela de alta definição

No mesmo embalo, a emissoras pública TV Cultura redefiniou a posição de sua marca d’água saindo da safe area e adotando o mesmo padrão inaugurado pela Globo ano passado. Compare como está a posição do selo da Cultura:


Marca d’água da TV Cultura “jogada” no canto direito: antes e depois. | TV Cultura



“Massarico” com S


O “maSSarico” em vez de “maÇarico”. | SBT



Percebi às 23h29 do dia 26 de março de 2017 no Programa Silvio Santos (SBT) que digitaram no gerador de caracteres (GCs) a palavra “massarico” com S em vez de “Ç” (maçarico). Foi durante a exibição de pegadinhas e câmeras escondidas.


Shrek na Band e Shrek 2 na Globo

Numa diferença de cinco dias a Bandeirantes (Band) e a Globo passaram dois filmes da franquia Shrek. Na Band, em 16 de abril de 2017 (domingo), a Sessão Livre exibiu o primeiro filme que deu origem a uma série de outros sobre o ogro verde:







Depois, em 21 de abril de 2017 (sexta-feira), foi a vez da Sessão da Tarde exibir a continuação do filme anterior. Detalhe: já estava até programado para passar no dia citado:







Será coincidência?


E foi isso o que eu vi. J-J














Por: Layon Yonaller, colaborador especial do Jovem Jornalista

terça-feira, 25 de abril de 2017

5Q: Fragmentado










Moral
É um filme bem complexo. A mensagem são as coisas que acontecem e não percebemos por falta de atenção, como o abuso infantil.

Cena boa
Fragmentado é cheio de cenas boas. Mas acho a que o personagem principal persegue sua última vítima bem interessante e bem dirigida. A tensão passada por ela foi muito grande. 

Cena ruim
Eu já estou virando fanboy desse filme, mas acho que algumas coisas poderiam ser diferentes. Por exemplo, a cena que a psiquiatra do Kevin vai onde ele mora e percebe tudo o que ele faz. Ao invés de sair e voltar com a polícia, ela simplesmente decide ficar e ajudar as pessoas... Teria ajudado mais se tivesse voltado com a polícia. 

Perfil
Kevin possui 23 personalidades diferentes e cada uma tem um jeito de pensar, de agir e doenças físicas diferentes (uma tem diabetes e a outra não). Uma das personalidades de Kevin sequestra 3 adolescentes. Presos em cativeiro, eles têm que lidar com todas as personalidades e ainda pensar em alguma maneira de fugir.

Opinião
Filme EXCELENTE! Alguém dá um prêmio para o James McAvoy. O cara atua demais! Nós não vemos todas as 23 personalidades no longa, até entendo que é porque poderia estender demais, mas todas que vemos são muito profundas. Você consegue saber o problema de cada uma, a diferença entre elas e o melhor, ver a diferença na atuação do James. Você identifica quem é quem. Até as manias e os tiques são diferentes entre os personagens e ele consegue passar isso para nós. A história fala muito sobre a questão de abuso infantil. O diretor, Shyamalan, conseguiu fazer um ótimo trabalho, assim como nos  anteriores: Corpo Fechado (que é um suposto antecessor de Fragmentado), O sexto sentido e outros. Já virei fã do cara. Espero que Fragmentado seja indicado ao próximo Oscar porque o James mereceu, assim como Shyamalan.    J-J


Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 24 de abril de 2017

#amejoaquim : A campanha que deu certo



Joaquim é um bebê de 9 meses que já tem uma história maior e mais complexa que a de muitos idosos. Portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal), ele tem uma vida de idas e vindas de hospitais, dependente de aparelhos para sobreviver.

A AME tem origem genética e caracteriza-se pela atrofia muscular secundária à degeneração de neurônios motores localizados no corno anterior da medula espinhal. A AME é a segunda maior desordem autossômica recessiva fatal - depois da Fibrose Cística (1:6000) - e afeta aproximadamente 1 em 10.000 nascimentos, com uma frequência de doentes de 1 em 50 portadores.

A AME atingiu o Joaquim um pouco mais cedo que o comum. Aos dois meses ele já não conseguia mamar e aos cinco parou de sorrir, quando normalmente os primeiros sintomas começaram a aparecer. Só que o Joaquim tem uma esperança: o medicamento Spinraza, liberado em dezembro de 2016 pela FDA (Agência Americana Reguladora, como a ANVISA aqui no Brasil) e agora em abril pela EMA (agência reguladora da Europa), que promete melhorar a qualidade de vida de portadores da AME e até atenuar a atrofia. Só que a família do Joaquim se deparou com o valor alto de 3 milhões de reais para conseguir o tratamento e foi ai que surgiu a campanha.










Com o apoio das redes sociais ela chegou ao alcance de alguns artistas e algumas mídias. Mesmo o objetivo sendo apenas o arrecadamento, a família do Joaquim conseguiu mais que 3 milhões em dinheiro: a divulgação de uma doença pouco conhecida, pesquisada ou tratada no mundo inteiro. A campanha provou que o cidadão brasileiro ainda tem compaixão em seu coração e alavancou outras campanhas de crianças na mesma situação.

Hoje, nosso forte e lutador Joaquim esta medicado e já exibe alguns pequenos progressos. Vamos dizer pequenos porque são coisas como fechar uma mão ou mudar a expressão facial, mas imagina o quão grandioso isso não é para seus pais, que não viam seu filho fechar a  mão ou expressar alguma reação em toda a face e não apenas com o movimento dos olhos? Tenho fé que o maior sonho de seus pais será alcançado: o de vê-lo respirar sem ajuda de aparelhos.


Bom dia com esse vídeo que enche nossos corações de ESPERANÇA. O medicamento Spinraza vem nos surpreendendo todos os dias, Joaquim não mexia a boquinha a muito tempo. Quando iniciamos a campanha para o medicamento Spinraza foi uma forma de desespero. Imagine vocês recebendo uma notícia de um diagnóstico severo como a AME. Todos os dias antes de dormir oramos e pedimos a Deus que cuide do nosso filho. Te amamos muito Joaquim. Spinraza é o único medicamento que teve comprovações para tratar a AME. A doença degenerativa que mais mata crianças. Obrigada Deus, obrigada Spinraza, Obrigada a todos que doaram para iniciarmos o tratamento. A doença chegou no Joaquim muito cedo, ele perdeu os movimentos com 2 meses, 2 meses ele se alimentava por sonda, perdeu o sorriso com 5 meses. O mais importante para nós é a doença parar de degenerar. Filho amado, cada conquista sua é uma grande felicidade para todos nós. Bom domingo a todos 🙏🏻
Uma publicação compartilhada por Joaquim Ambrosio Okano Marques (@amejoaquim) em



Estou acompanhando pelo Instagram todo o progresso do Joaquim. Espero que tudo melhore na vida dele e da família, mas o que mais espero é que no ano que vem eles não precisem mais de doação para conseguir o medicamento; que a ANVISA aprove para que mais crianças com AME possam ter acesso; que o SUS possa fornecê-lo; ou que o governo arque com o custo do tratamento, já que isso está incluso nos nossos impostos. Mas, caso isso não aconteça e mesmo que aconteça, o Joaquim precisa de muita coisa ainda para ter qualidade de vida. Você pode fazer sua doação, basta que acompanhe nas redes sociais e descubra em que e como ajudar. J-J















Por: Stephanie Ferreira

sábado, 22 de abril de 2017

A solução para o suicídio é boicotar "13 Reasons Why" e "Baleia Azul" e aderir ao "Baleia Rosa"?

Imagem ABSURDAMENTE ilustrativa.


Atualmente, muito tem se discutido sobre suicídio, bullying, depressão e tantas outras questões da saúde mental. Mudei o Quinta de Série dessa semana por conta disso. 13 Reasons Why é a grande polêmica do momento por tratar de um assunto relevante, mas que ninguém quer sequer mencionar. Por outro lado, um jogo suicida está em alta: o Baleia Azul. Um game que, supostamente, incentiva o suicídio e que está sob investigação. 13RW e Baleia Azul nos permite  diversas conjecturas. 

Uma série - cujo tema principal é o que leva uma pessoa a tirar sua própria vida? - alertaria sobre a seriedade do problema ou incentivaria as pessoas a cometer tal ato? As 13 razões que fazem com que Hanna se mate podem ser plausíveis, mas para alguns é apenas o combustível para executar-se. Muitos adolescentes se identificam com a atitude da personagem: "Ah! Eu passei por isso" ou "Isso aconteceu comigo", pensam. Já outros telespectadores dizem "Eu passei por coisa pior, mas não cheguei ao extremo do suicídio"

Não dá pra saber ao certo o efeito que 13RW produz nas pessoas. Se a intenção foi alertá-las, ela pode ser reconfigurada para o incentivo quando chega até o público. Veja o que o site Catraca Livre disse em um texto (com grifos): 

"[...] a polêmica maior em torno da produção gira em torno dela ser um serviço público ao trazer à tona a questão do suicídio ou um desserviço justamente por isso".


Talvez falar do tema pode ser perigoso. Uma fundação de saúde chamada Headspace National Youth Mental Health Foundation alerta as pessoas não assistirem à série por diversos motivos, como por exemplo: por que traz imagens fortes e gráficas sobre o suicídio;  por que não reflete sobre saúde mental e não fala de depressão; e por que não dá outra saída viável à atitude. Desse modo, a entidade acredita que 13RW tratou do suicídio de forma romântica e como a única solução para Hanna.

O jogo Baleia Azul tem produzido (supostamente) o efeito negativo em quem joga. Nessas últimas semanas, ele está em alta em jornais e agências de notícias. A polícia investiga diversas mortes, para saber se elas estão ligadas ao jogo, bem como quem são os curadores

Utilizei o termo "conjunturas" no primeiro parágrafo porque essas questões que pincelei são hipóteses e suposições. Será mesmo que uma série influenciaria tanto uma pessoa ao suicídio? E um jogo teria a capacidade de matar jovens e adolescentes? 


De quem é a culpa?

A culpa não é da série que romantiza o suicídio nem de seus produtores. A culpa não é dos curadores nem do jogo, com seus 50 desafios macabros (o último é tirar a própria vida). A culpa é da insensibilidade da sociedade, das desculpas para não ouvir o problema dos outros, da falta de carinho e na capacidade de ignorá-los e dizer que é besteira. Não adianta boicotar 13RW nem ir atrás dos curadores do jogo se antes não se resolver uma questão mais profunda: SABER OUVIR e SE IMPORTAR. 

Embora com toda polêmica em volta de 13RW, a série retratou bem isso quando mostrou "Que alguns se importaram, mas não suficientemente". Nathalí Macedo, nesse artigo, relata que seus familiares e amigos se importaram quando ela teve depressão - antes mesmo de 13RW - e se não fosse isso ela nem estaria viva. 

Esse é o grande cerne da questão. 13RW e o jogo da Baleia Azul tem uma relação quase nula com quem se mata. Antes de um adolescente assistir à série, será que alguém o ouviu? Ou alguém soube dos seus problemas emotivos antes dele jogar Baleia Azul

O depoimento de Maria de Fátima ao Estadão que perdeu seu filho após ele jogar Baleia Azul, mostra que a culpa está apenas no jogo. Leia (com grifos):

"Eu falei com ele para sair daquele jogo. Uma pessoa, para fazer um jogo como esse, faz um pacto e vai colhendo alma pelo mundo afora. Só que ele não quis me ouvir. Foi quando eu briguei com ele, que isso não era coisa de Deus. Mas ele não aguentou a pressão do jogo. Dizem que eles ameaçam os jogadores que querem sair, que têm os dados da família. Ele tentou sair, mas voltou ao jogo. Perdi meu filho para um jogo. Não quero que mais mãe nenhuma passe por isso. Era um filho trabalhador, honesto, não usava drogas. Você, se precisar, dê umas palmadas, olhe o celular. Mas não deixe seu filho se perder nesse jogo. Espero que essa turma (que convida para participar) seja punida."


Três frases chamam a minha atenção na fala dessa mãe:

1) "Perdi meu filho para um jogo": Não acredito que a culpa seja integralmente do game. É fácil terceirizar aquilo que nos diz respeito e o que temos uma boa parcela de culpa. A mãe diz que o jogo é do capeta e que os curadores precisam ser presos.

2) "Era um filho trabalhador, honesto, não usava drogas": O problema do filho podia não ser o desemprego, a falta de caráter ou o uso de substâncias ilícitas. Não poderia ser nada visível, mas poderia ser dores emocionais, invisíveis, que só ele sabia. 

3) "Você, se precisar, dê umas palmadas, olhe o celular": Palmada não resolve problemas emocionais e mentais. Olhar o celular também não.


A havaiana azul

"Você, se precisar, dê umas palmadas", é o que disse a mãe que "perdeu o filho para o jogo". Parece que a solução é agir com força e violência. Quem já não ouviu por aí que pra curar depressão "uma boa surra dá jeito?". Afinal, o que a pessoa sente é apenas preguiça e frescura, não é mesmo?

Muitas das vezes são os próprios familiares que não compreendem a dor. Só sabe o que é depressão quem já passou por ela. Quem não passou tem essa atitude reprovável. Como o depressivo age quando ouve que é frescura o que sente? Ele acredita que deva ser mesmo e tenta, de todas as formas, trabalhar e ser mais ágil. Não consegue, por mais que tente. Como ele se sente quando dizem que precisa apanhar e levar uma surra no lombo? Acredita que o que passa é errado. Doenças emocionais devem ser tratadas como tal, e não como uma dor física e visível. Afinal, depressão não tem cor nem sintoma aparente.

Nessa semana, uma imagem que me enviaram pelo Whatsapp me deixou extremamente indignado. Veja:





Nas entrelinhas podemos ler claramente o seguinte: A DEPRESSÃO TEM QUE SER TRATADA DE MANEIRA FÍSICA E COM MUITA SURRA. De uma insensibilidade e humor negro terríveis. Admira-me o humor de quem criou essa imagem em um momento tão sério que a sociedade vive. É necessário, ao contrário disso, amor, compreensão e diálogo.


Baleia Rosa




Diferente do responsável pelo meme acima, uma dupla de publicitários paulistanos criaram a versão positiva e do bem do jogo Baleia Azul, o Baleia Rosa. Este é uma contrarresposta ao jogo suicida. Os criadores viram os 50 desafios do Baleia Azul e criaram 50 desafios contrários. Veja:

"Fomos lendo a lista da Baleia Azul e tentamos fazer o extremo oposto".


É incrível perceber o sucesso do Baleia Rosa. Com pouco mais de uma semana de existência, a fanpage do BR já conta com quase 250 mil curtidas; e o Instagram @eusoubaleiarosa - cerca de 50 mil seguidores. A "baleia do bem" mostra que é possível influenciar, através das redes sociais, a realização de boas ações, assim como o Baleia Azul  faz isso negativamente mas, repito: ELE NÃO É CULPADO DO SUICÍDIO!




Desafios como "Fale inesperadamente que ama seus pais ou alguém da sua família" (Desafio 25), "Peça desculpas ou perdoe alguém" (21), "Faça algo generoso, faça alguém sorrir" (12), "Use suas mãos para fazer carinho em alguém" (11) e "Com uma canetinha, escreva na pele de alguém o quanto você a ama" (01) não é a salvação para que uma pessoa não se mate. Essas ações apenas incentivam o amor ao próximo e demonstram que uma pessoa pode ser importante à outra, e se essa sentir-se amada já é um grande ganho. Apenas isso. 


A questão é a sensibilidade

Não adianta colocar no banco dos réus uma série e um jogo e dizer que a culpa da morte de tantos jovens é deles. Tratar a questão nesse nível só demonstra a insensibilidade que se tem. Um jogo contraposto ao Baleia Azul também não é a solução. Ele não acabará de vez com um suicídio, mas é louvável o Baleia Rosa para ao menos amenizar as dores de muitos e tornar o mundo um lugar melhor. J-J


Por: Emerson Garcia
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