sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"Omo, quem reforçou clichês de gênero foi você!": a moda da agenda da Ideologia de gênero













Duas semanas atrás (06) um comunicado público da empresa de materiais de limpeza Omo deu o que falar. Para promover a Semana das Crianças, foi veiculado no Youtube um vídeo que incentivava os pais a deixarem seus filhos brincarem livremente, sem se preocuparem com padrões, regras e normas. Assista:






Um vídeo curto que, a princípio, não tem nenhum problema, mas que pelo visto tem gerado revolta nos internautas - já que são mais de 245 mil dislikes, contra 50 mil likes (até o momento dessa publicação). Você pode se perguntar: mas qual o problema de meninos se divertirem com brinquedos e brincadeiras de meninas e vice-e-versa? Diria que nenhum, mas a forma como a marca colocou que é o grande problema da questão. Irei transcrever o Comunicado (com grifos):


"Comunicado urgente para pais e mães

Omo convoca pais e mães a fazerem recall de todas as brincadeiras que reforcem clichês sobre gênero, com o objetivo de ressaltar a importância da experiência e do desenvolvimento das crianças. Meninas podem, sim, se divertir com minicozinha, miniaspirador e mini-lavanderia, mas também podem ter acesso a fantasias de super-heróis, bloquinhos de construção, carrinhos velozes e dinossauros assustadores. E meninos também devem ter toda a liberdade para brincar de casinha, gostar de castelos, trocar fraldas de bonecas e ter uma incrível coleção de panelinhas. Porque mais importante do que o brinquedo é a brincadeira, a participação dos pais no processo de aprendizagem e os momentos que vão marcar a vida delas para sempre. Esse comunicado tem caráter educativo e busca convidar pais e mães, nesta data tão especial, a incentivarem seus filhos a se divertirem sem se preocupar com cores, regras ou padrões. Junte-se à Omo na campanha pelo direito de toda criança de se sujar e brincar livremente.


Compartilhe o vídeo e seus #momentosquemarcam ao longo da semana com a gente. Não deixe o Dia das Crianças passar em branco."



Em minha opinião, meninos podem, sim, brincar de casinha, de escolinha, trocar o futebol pelo parquinho, e isso não significa que no futuro ele será homossexual nem nada do tipo. Mas nesse comunicado a Omo descaradamente é a favor da ideologia de gênero, além de influenciar os pais e determinar como eles devem agir com seus filhos. 

Não irei discutir Ideologia de gênero nesse post, até porque ela já foi discutida por Pedro Blanche em postagem anterior. O foco do texto será em como as marcas, redes de televisões, programas jornalísticos e de entretenimento tem aderido à essa agenda, por estar na moda, por ser 'cult' e atual, além de definirem como os pais devem criar seus filhos. O que a Omo - e recentemente a Avon - querem levar em consideração são suas influências nas famílias, e não as dos pais, que envolvem cultura, visão de mundo e formas de educação.

Ser a favor da Ideologia de gênero é ser contemporâneo e vanguardista, mesmo que esta não seja a sua opinião realmente, nem o que acredita em seu íntimo. E daí que você tinha outro posicionamento? O que importa é sua opinião atual e ir na onda da maioria. O que penso ser irônico é uma empresa de sabão falar para pais "não reforçarem clichês de gênero" e "incentivarem seus filhos a se divertirem sem se preocupar com cores, regras ou padrões", sendo que outrora - precisamente em 2016 e em anos anteriores - fora ela mesma que estereotipou brincadeiras de meninas e meninos. Duvida? Veja a imagem abaixo!














Para a Omo, até certo tempo menino brincava de bola e menina brincava de bambolé. Ela não inverteu os papéis: menino com bambolé (Nem vestido de princesa, como a propaganda da Avon!) e menina jogadora de futebol. "Mas, Emerson. Agora os tempos são outros". É mesmo?! Os tempos são outros, mas muito me surpreende uma empresa mudar sua identidade assim da noite para o dia. Uma identidade que já estava construída há 15 anos.


A identidade da Omo em 5 vídeos

Agora, irei traçar como a Omo retratava as crianças e os gêneros até pouco tempo através de 5 vídeos.


1- Menino aventureiro!



Para a Omo, ser aventureiro, corajoso e vertir-se como escoteiro pertencia ao padrão masculino. Na propaganda abaixo não é uma menina que se aventura e visualiza um filhote de onça pela câmera. Assista:






2- Atividades desafiantes



Superação de desafios, obstáculos e perigos eram atividades de rapazinhos para a Omo, por mais que seja apenas andar de bicicleta! Já perceberam que só quem enfrentava o perigo eram os meninos (Vídeo 1 e 2) nas propagandas da marca de sabão em pó, né? "Mas Emerson, você está sendo muito radical!" Eu radical? Agora vocês verão quem é!






3- Futebol? É com rapazinhos!



O vídeo a seguir é bem recente (março desse ano), e prova a minha teoria que a Omo aderiu a agenda da Ideologia do gênero por estar na moda, mais do que ser sua identidade, visão e valores. Na propaganda, um menino entra com uma bola de futebol todo cheio de lama em uma sala e seu pai o vê. Futebol? Era com rapazinhos! Observe:







4- Por que não uma mulher?!


Quando vi o vídeo abaixo me perguntei por que não é uma mulher que pode construir uma montanha-russa muito louca, fazer um totó artesanal, entre outras invenções? Porque para a Omo, até pouco tempo atrás, ser criativo, inventivo e inovador eram atividades masculinas. "Bloquinhos de construção" - fazendo uma correlação com o comunicado recente - eram brinquedos de menino. Uma guria jamais poderia construir uma pista de corrida ou uma montanha-russa. Assista:





5- Brincadeiras de meninos e meninas


Deixei o melhor vídeo para o final. Aqui a fabricante deixa claro quais eram as brincadeiras de meninas e de meninos. Nele, um menino está com um óculos malucos e se aventura a se equilibrar em um muro, enquanto sua mãe o observa; outro anda de bicicleta (vídeo 2 apresentado); uma garotinha pula serelepe em uma poça de lama; e outra brinca de escorregador em um parquinho e canta toda fofurinha uma música em inglês. Para a Omo, uma menina não poderia estar se aventurando em um muro, nem um menino brincando de parquinho ("Não vai jogar futebol, não, rapaz!", é o que a Omo lhe diria). Veja:






O tal do recall


Quando vi o comunicado BRILHANTE e BRANCO (Olha o trocadilho! kkk) da Omo logo me perguntei qual teria sido o sentido dela ter usado a expressão recall - que aparece no início do texto. Pesquisei dois conceitos na internet, um do Google e o outro do Procon do Pará. Leia-os (com grifos):

"recall ɹɪ'kɔl/ substantivo masculino: convocação por parte de fabricante ou distribuidor para que determinado produto lhe seja levado de volta para substituição ou reparo de possíveis ou reais defeitos." - Google

"[...] o Recall, ou chamamento, é o procedimento gratuito pelo qual o fornecedor informa o público e/ou eventualmente o convoca para sanar os defeitos encontrados em produtos vendidos ou serviços prestados. O objetivo essencial do Recall é proteger e preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, além de evitar e minimizar prejuízos físicos ou morais." - Procon do Pará


Mas não foi com o sentido publicitário que a Omo utilizou essa expressão, afinal, nenhuma linha de seus produtos voltou para as indústrias (Pelo menos não tenho conhecimento disso). O que a empresa quis dizer é que as atitudes dos pais precisam passar por uma reformulação e ela estaria ali de prontidão para isso. Vamos relembrar o que foi dito? (com grifos)

"Omo convoca pais e mães a fazerem recall de todas as brincadeiras que reforcem clichês sobre gênero, com o objetivo de ressaltar a importância da experiência e do desenvolvimento das crianças."


Para a Omo, o posicionamento dos pais está com defeitos e pode trazer prejuízos físicos e morais. Como se ela palpitasse que a forma de educação, visão de mundo e cultura destes estão ultrapassadas, sendo necessário que eles "retornem à fábrica", revejam seus conceitos e obtenham posicionamentos mais atuais e contemporâneos. 

Se a empresa possui essa visão, é sensato que ela também passe por um recall de identidade, uma vez que até pouco tempo reforçava clichês de gênero. A empresa, a partir dessa lógica, também deveria retornar à fábrica por estar cheia de defeitos e estereótipos já formados. Sendo assim, depois do recall da empresa, quero que ela traga uma NOVA PEÇA PUBLICITÁRIA com meninos brincando de casinha, se sujando com molho de tomate ao cozinhar e com vestidos cheios de lama! Quer fazer recall? Então faça direito! Quer ser a favor da Ideologia de gênero? Então faça bonito! Isso é pra agora, pra ontem!



Era preciso mesmo o engajamento da Ideologia de gênero para a campanha #Momentosquemarcam?


Me pergunto se era mesmo necessário que a Omo apelasse e aderisse para a Ideologia de gênero para promover uma hashgtag. Isso porque a empresa sempre reforçou clichês de gênero, como puderam ver em seus próprios vídeos. 

Era mais fácil ela ter lançado a campanha #Momentosquemarcam pelo que já fazia com frequência e tradição. Me lembro muito bem do slogan "Por que se sujar faz bem" que era criativo e interessante. E a empresa não precisou apelar para Ideologia de gênero, nem nada. Agora, ela faz isso, o que soou falso, hipócrita, destoante e contrário à sua identidade. Leia a forma como a Omo lançou a campanha #Momentosquemarcam (com grifos):

"Não existe brincadeira de menino e brincadeira de menina. Toda criança tem o direito de se sujar e se divertir livremente, sem cores, regras ou padrões. Junte-se à OMO nesta campanha. Não deixe o Dia das Crianças passar em branco. Compartilhe o vídeo e seus #MomentosQueMarcam com a gente."


Realmente não há distinção entre brincadeiras de menino e de menina, mas o problema é como a Omo colocou isso, como já havia dito, e como ela quer promover a agenda da Ideologia de gênero de qualquer maneira, mesmo que isso não seja sua visão.

Recentemente (11), a empresa publicou um novo vídeo explicando "realmente" o que ela quis dizer com o comunicado e e a campanha. De acordo com ela, "toda criança tem direito de se sujar e brincar livremente". Mas o que há por trás desse discurso é aderir à moda da agenda Ideologia de gênero. Veja o vídeo publicado:






Colocou-se uma 'encenaçãozinha' de uma menina e um menino brincando com tintas, e duas garotas andando de skate. Mas isso soou falso e não tem a ver com a identidade tradicional da marca, em minha opinião. O vídeo também está longe (BEM LONGE!) de ser um recall da Omo. Aliás, minha proposta está de pé, vamos relembrar?

"Sendo assim, depois do recall da empresa, quero que ela traga uma NOVA PEÇA PUBLICITÁRIA com meninos brincando de casinha, se sujando com molho de tomate ao cozinhar e com vestidos cheios de lama!"


Por último, deixo a descrição do vídeo acima (com grifos):

"Vimos que tem muita gente falando da mensagem de OMO sobre o Dia das Crianças. Nossa intenção é celebrar que toda criança tem direito de se sujar e brincar livremente, de maneira positiva e saudável. Mais importante que o brinquedo é a brincadeira, o aprendizado, a participação dos pais e os momentos que marcam. É o que promovemos há 15 anos: os momentos positivos que resultam do brincar. Junte-se à OMO para comemorar o Dia das Crianças.

Viva, se suje e compartilhe momentos que marcam."



"Emerson, e você é a favor ou contra a Ideologia de gênero?!". Caros, esse não é o objetivo do post, mas sou contra, piamente, a mídia, marcas e empresas pautarem como as pessoas devem ser e agir. A Omo, Avon, Rede Globo, etc, entraram em uma seara que não lhes dizem respeito. E, muitas vezes, ao comprar essa briga pode ficar feio para as empresas, que antes tinham uma visão de mundo e agora outra. J-J


Por: Emerson Garcia

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Quinta de série: Baby Daddy






Olá, galera! Mais um QdS com outra dica para divertir vocês. Essa semana a vez é de Baby Daddy. Transmitida originalmente pelo canal norte-americano ABC Family – que recentemente sofreu uma mudança e mudou seu nome para Freeform -, o programa acompanha Ben, um garoto novo que descobre que é papai.

A vida de Ben muda completamente quando uma garota que ele havia ficado há um tempo atrás deixa um bebê em sua porta com um bilhete. Toda a sua família e amigos se movimentam para ajudar Ben nessa aventura. A mãe de Ben, Bonnie, que se assusta com a ideia de que seu filho irresponsável é pai, acaba dando uma forcinha a ele também.

Riley, amiga do irmão de Ben – Danny -, é apaixonada por Ben desde o ensino médio, assim como seu irmão Danny é apaixonado pela Riley. Isso gera muita confusão durante muitos episódios ao longo de toda a série, inclusive coisas muitos surpreendentes. 





Além de Riley, temos também o Tuck, melhor amigo de Ben com o qual ele divide o apartamento. Tuck é tão protagonista quanto os demais personagens, assim como é tão engraçado quanto. E também, temos é claro, a queridíssima Emma, a bebezinha que é a filha do Ben.

Essa criança passa por muitas coisas nas mãos dessa família. Desde ser trocada com outro bebê a ser esquecida ou até mesmo usada como ímã para paqueras. Me pergunto desde que vi Baby Dady pela primeira vez, como você faz um bebê, que devia ter por volta de um ou dois anos de idade no começo das filmagens, atuar? Sei lá, parecia algo tão natural. Eles contornavam o texto nas ações da Emma. Talvez tenha sido isso que me fez gostar tanto da série.

O programa tem duração média de 20 minutos por episódios e seis temporadas lançadas. As primeiras temporadas tem por volta de 16 episódios e depois passam a ter 22 episódios, até a última temporada, que teve apenas 11.





Infelizmente, a série não está disponível na Netflix Brasil

Espero que tenham gostado da dica. Até o próximo QdS e boa maratona! J-J








Por: Thiago Nascimento

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Desabafo: os "iluminados" em defesa da sexualização infantil, zoofilia e agressão a fé alheia em nome da "arte" Vs. Os "ignorantes" do povão

Menor em trajes sumários na Parada Gay de São Paulo em 2015. | YouTube


Caros leitores, apesar de minhas mudanças não deixei de ver os tristes episódios a respeito de um momento frágil e perigoso no Brasil: a sexualização das crianças, o vilipêndio a ato e/ou objeto religioso e a zoofilia. Tudo isso com a enorme defesa em nome do que chamam de "arte".

APLAUDO a iniciativa espontânea da população em rechaçar a porcaria do Queermuseu em Porto Alegre e a performance pedófila La Bête em São Paulo. Apesar de toneladas de lixo que recebemos dos meios de comunicação, o povo não deixou de saber que "a grama é verde". Pouco me importa se o pênis do sujeito estava flácido ou se um quadro com clara mensagem sexual infantil pode receber o carimbo de "arte". Arte não é, de fato.

NÃO ME SURPREENDO com a atitude da enorme parte da classe de jornalistas, artistas e metidos a 'pepsicólogos' em alegar que o óbvio não passa de algo "subjetivo" e que isso "varia de um para um". Em especial, TODOS OS VEÍCULOS do Grupo Globo estão empenhados em confundir o brasileiro ao defenderem que as coisas horrendas expostas em Porto Alegre e São Paulo podem ser chamadas de "arte". Em especial, a última matéria do Fantástico exibida recentemente (08) foi um acinte à lógica e aos brasileiros de bem quando aquele lixo que chamaram de "reportagem" retratou os contrários às últimas exposições como "fanáticos", "retrógrados", "contra o progresso" e de "ignorantes sobre arte".

A TÁTICA NOJENTA de igualar pinturas de Tarsila do Amaral, alegorias da Revolução Francesa, artes sacras, Michelangelo às porcarias do Queermuseu e La Bête só demonstram o desespero e a tentativa fracassada em confundir a cabeça até do mais simples dos brasileiros - eles podem até não entenderem de técnicas artísticas, mas reconhecem a maracutaia exposta. Quando o ator (?) Bruno Ferrari no programa Encontro (sem Fátima Bernardes) na semana anterior à matéria do Fantástico "argumentou" que não via problema algum com o nu dizendo que tomava banho com seu próprio filho e não se furtaria em levá-lo em exposições supracitadas, ele desafia nossa inteligência e lógica a respeito do nu artístico e o nu grotesco e nojento onde a criança (e outras crianças) estavam expostas.

USAR DO BOICOTE e correr atrás de justiça dentro da lei são as armas para frear este movimento que planeja não parar de forma alguma. Não apenas mostrar que o universal abstrato chamado de "arte" seja acusado, mas também em levar a justiça e punir AS PESSOAS que fizeram isso.

A ARTE NÃO PODE ser usada de escudo para crimes. E se, por exemplo pegasse uma foto de alguém querido execrado e pôr um carimbo de "arte"? E nem me venham com essa lenga-lenga de "censura", "liberdade", "tolerância" e outras palavras que formam clichês. Zombar da fé alheia e expor crianças a um contexto sexual não pode ser tolerado de forma alguma.

QUE O POVO não dê sossego a toda essa gente iluminada em seu altar da arrogância querer dizer o que quiser. Independente se a grana é de origem pública ou privada é inadmissível conviver com este lixo. 


Complemento: vídeos


Sugiro que assistam a estes vídeos onde como o mundo das artes e espetáculos viraram espaços para a exaltação do grotesco:


















RELEIA

- Crianças a mercê da engenharia social (de 07 de outubro de 2015): Texto onde mostro que não é de hoje que esses "iluminados" querem destruir as nossas crianças. 

- E se eu fosse "Pietra Blanche"?! (de 1º de julho de 2015): A respeito de ideologia de gênero.

OBS.: A foto que ilustra este texto prova que a mídia está ciente e promove isso tudo.


Até mais, pessoal. J-J















Por: Pedro Blanche

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A realidade do mundo virtual






Ser bloqueado virtualmente pode gerar reações e sentimentos na vida real? Esta pergunta vem logo após eu publicar a crônica Bugs da vida e receber comentários de blogueiras que disseram que bloquearam pessoas por terem problemas reais com elas. Mas aqui quero falar de fatos virtuais que podem interferir, ou não, na realidade. 

As relações virtuais tem se tornado cada vez mais presentes e intensas em nosso dia a dia. Criamos vínculos, amizades; mas também discutimos, brigamos, bloqueamos uns aos outros. Tudo isso em ambiente virtual. A realidade do mundo virtual é incontestável: ele é cada vez mais real, capaz de gerar sentimentos reais, como alegria, tristeza, mágoa, rancor, desejo, dependência, histórias. Engana-se quem pensa que por ser uma relação virtual, ela não existe e é fria. Mesmo que não haja toque, olho no olho, face  a face, abraços, beijos, apertos de mão, ela não deixou de existir e ser humana.

Humana porque trata-se de dois humanos (ou grupos) que interagem através de um espelho negro - que pode ser um celular, monitor de um pc, tablet, Smart TV ou qualquer outra tecnologia de comunicação que eu não tenha conhecimento. Muitos dizem que o relacionamento virtual não é real, isso porque utiliza instrumentos tecnológicos e virtuais. Mas, é interessante ver o seguinte: os dedos que digitam uma mensagem no Whatsapp são humanos e reais; a face que aparece em uma videochamada existe, mesmo que seja deformada por conta da velocidade da internet; a voz que se ouve em um celular é real, e por aí vai... 

Mensagens que são digitadas, áudios e imagens enviados pelas plataformas e redes sociais provocam ideias, sensações e emoções reais. Qual a sua reação, por exemplo, quando um 'crush' posta uma foto no Instagram? Quando você pensa em alguém e ele te envia um "oi' no Whatsapp?  Ou quando recebe uma mensagem de parabéns de um amigo virtual? São fatos que geram reações no mundo real. Quer uma prova? Ao ver a foto do 'crush' seu coração dispara, seus olhos brilham e você até mesmo treme os dedos ao clicar duas vezes e curtir com um coraçãozinho. Ao receber um 'oi' você pode ficar feliz e com uma sensação boa, ainda mais se tem muito tempo que não fala com o contato. Receber uma mensagem de parabéns aumenta o seu ego, te faz sentir-se importante, saber como a pessoa te vê e se surpreender ao descobrir que você faz a diferença na vida dela.

As reações do mundo virtual na realidade também dependem de como iremos interpretar os comentários, as mensagens e fotos dos outros. Talvez uma interpretação errada pode gerar reações e sentimentos que não condizem com a realidade. Por isso, é preciso que interpretemos mensagens, comentários, críticas, brincadeiras e fotos de maneira correta. Mas, mesmo com a interpretação errada de algo do mundo virtual não deixaremos de reagir, sentir e se comover.

Não são emoções falsas, inventadas, muito menos sentimentos irreais. Eles estão ali. Eles existem. Não é algo fantasioso ou criado pela mente. Ao conversar com um amigo virtual no Whatsapp seu corpo interage, sua mente pensa, você pode sentir arrepios na pele, dependendo da conversa, ou até mesmo borboletas no estômago. 





Tenho uma experiência interessante sobre amizades virtuais. Possuo um amigo virtual há uns 6 anos, já conhecemos os gostos do outro, o que cada um pensa, assim como sabemos como animar, encorajar e aconselhar o outro. Não é porque a amizade é virtual que ela deixou de ser real! Certa vez brigamos feio no Whatsapp, e sabemos que brigamos por conta do tom da conversa  e da interpretação. Isso gerou reações na minha realidade, e creio que na dele também. Não parava de pensar no ocorrido, meu corpo ficava trêmulo e eu sentia vontade de chorar. Ou seja: a realidade do mundo virtual mais uma vez me perseguia. Depois, resolvemos a situação, pedimos desculpas um ao outro e seguimos com a amizade. Afinal, é uma amizade que vale muito a pena mesmo que seja somente virtual. Adivinha como nossa reconciliação interferiu na nossa vida real? Após ela, me senti leve, alegre e acreditando que não poderei jamais romper essa amizade.


Agora, volto a pergunta inicial: ser bloqueado virtualmente pode gerar reações e sentimentos reais? Diante do que disse, é óbvio que sim, e os sentimentos podem não ser os melhores. Quem é bloqueado pode sentir-se triste, com a sensação de ter sido excluído da vida da pessoa e de seus círculos, pode se questionar o por quê da atitude da outra pessoa... Ou seja, uma atitude virtual que desencadeia na realidade! 

Mas, diferente do que aconteceu em um episódio de Black Mirror, o bloqueio, muitas vezes, só acontece em ambiente virtual. Você não deixa de ver a pessoa na vida real e pode até mesmo cruzar com ela na rua... Quem bloqueia pode achar que a situação está resolvida, mas quando encontra com o bloqueado pode ter as mais variadas sensações. Será que ele pode mesmo transferir o bloqueio para a vida real? Apagar aquela pessoa da sua frente e fingir que não a está enxergando? Pode gerar uma série de desconfortos, mas também de muitas surpresas, como por exemplo, o bloqueado esquecer-se do episódio virtual e cumprimentar o bloqueador na rua como se nada tivesse acontecido. Essa última situação aconteceu recentemente comigo e entre transferir para a realidade o bloqueio virtual, eu transferi a minha tentativa de manter a amizade, o respeito e a admiração reais. Afinal, nesse caso, o episódio virtual não tem nada a ver com a realidade. Acredito, até, que a realidade real e a minha relação presencial com essa pessoa, é bem mais forte do que aconteceu no ambiente virtual.

Como você reage na realidade com suas relações virtuais? Você acredita que o mundo virtual interfere em seu mundo real? Você é você mesmo nas redes sociais? Você finge, se dissimula, representa, cria ou é o que se é? Você é aquele que acredita que uma tela preta e fria, te faz frio, insensível e menos humano? Você já chegou a acreditar que um ambiente virtual é uma mentira e que não valia a pena sofrer por 'algo que não é real'? Cada pessoa pode responder essas perguntas de forma diferenciada e com seu ponto de vista. Mas acredito que a realidade do mundo virtual é uma coisa cada vez mais presente e intensa. Sendo assim, meus abraços, beijos e apertos de mãos pra cada um de vocês. J-J


Por: Emerson Garcia

domingo, 15 de outubro de 2017

O que você precisa saber sobre câncer de mama e 'Outubro Rosa'




Outubro Rosa, autoexame mamário, campanha mundial e mais um monte de coisas que ouvimos em outubro sobre câncer de mama, mas o que realmente sabemos sobre isso? Toda essa iniciativa faz diferença? Bom, fui fundo nas pesquisas, tanto que pedi para o editor chefe ao menos 15 dias para fazer algo que realmente fosse esclarecedor. Espero que gostem.

Iniciarei esclarecendo mais sobre o câncer ou neoplasia mamária. Existem muitas coisas a considerar, sendo a primeira e mais importante, que esta é uma doença praticamente assintomática em seu início. A neoplasia mamária não tem causa definida, o que a medicina atualmente pode definir são os fatores de risco, dentre eles estão alguns, como:

- Ser mulher (MAS HOMEM PODE DESENVOLVER TAMBÉM CÂNCER DE MAMA);
- Histórico familiar;
- Menarca precoce;
- Predisposição genética hereditária;
- Idade avançada;
- Menopausa tardia;
- Radioterapia prévia na região do tórax;
- Mamas densas;
- Obesidade;
-Sedentarismo;
- Alcoolismo;
- Tabagismo; e
- Uso da terapia de reposição hormonal.



“Estou fora do grupo de risco, estou livre do câncer”. Não, você não está fora. Apenas tem um risco menor a considerar. No caso, o que precisa entender sobre fator de risco é que há uma incidência maior em pessoas que se encaixam nesses grupos.







O principal questionamento aos médicos sobre o assunto é o que se pode fazer para evitar o câncer de mama. Bom, a resposta é totalmente desanimadora: NADA. Sim, não há muito o que fazer, mas é uma doença que TEM CURA se diagnosticada precocemente. 



Se não tem sintomas, como posso diagnosticar precocemente? 





A orientação atual é que a mulher faça a observação e a autopalpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem necessidade de uma técnica específica de autoexame. Essa mudança surgiu do fato de que, na prática, muitas mulheres com câncer de mama descobriram a doença a partir da observação casual de alterações mamárias, e não por meio de uma prática sistemática com métodos e periodicidade definidos.

Também é prescrito por alguns médicos que a mulher faça o exame de Mamografia anualmente a partir dos 40 anos, mesmo que a orientação atual do Ministério da Saúde seja que mulheres entre 50 e 69 anos o façam a cada dois anos. 

Todas essas orientações são passadas para a paciente por meio de consultas de rotina com um ginecologista ou um mastologista.


Outubro Rosa






A campanha Outubro Rosa surgiu mundialmente como método de conscientização para a prevenção. Mesmo com todo acesso, existem mulheres que não fazem os exames de rotina e acabam descobrindo a doença tardiamente e, assim, não obtêm sucesso no tratamento. 

Teve origem em uma corrida pela cura nos EUA em outubro de 1990, que se repetia a cada ano com laços rosas sendo distribuídos entres as participantes, e ganhou força com monumentos iluminados de rosa a partir de 1997. Assim, a campanha passou a ter caráter mundial.

Graças à elas houve um aumento de diagnósticos precoces e, consequentemente, um número maior de batalhas vencidas.

É importante ressaltar que o diagnóstico precoce não garante a cura, e que cada paciente tem uma evolução de quadro diferente, mas ele pode aumentar em até 95% a probabilidade de cura.





Espero ter esclarecido o máximo possível as dúvidas. Para as mulheres abaixo dos 40 anos, recomendo consultas anuais com seu ginecologista de confiança, mesmo que não esteja no grupo de risco. J-J



Por: Stephanie Ferreira

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A censura subjetiva da exposição 'Queermuseu'




O cancelamento da mostra Queermuseu- Cartografias da Diferença na Arte Brasileira tanto em Porto Alegre como recentemente no Rio de Janeiro pelo prefeito Marcello Crivela, torna a trazer em discussão - logo após toda polêmica do MAM - o possível choque que a arte pode gerar nas pessoas. Decidiram, por elas, que a mostra era imprópria. A censuraram, antes mesmo que os olhares dos apreciadores pudessem vê-la e contemplá-la. A balança do que é ou não arte, não ficou nas mãos dos indivíduos, mas do governo, censores e de uma infinidade de haters na internet e redes sociais que boicotaram a exposição. 

Esses decisores cravaram que a mostra era uma blasfêmia, incitava a pedofilia e zoofilia, sem ao menos analisarem seu propósito e significado. Aliás, eles embasaram suas denúncias em apenas três das 264 obras, descontextualizando cada uma delas com alegações genéricas de apologia à pedofilia e zoofilia. Foi como se utilizassem esses conceitos fortes e pesados em algo que não cabe. 

De acordo com os idealizadores, o projeto tem o intuito de gerar reflexões sobre gênero, diversidade e violência. Desse modo, embora algumas obras tragam crianças, isso não é pedofilia (Imagens 1 e 2); embora sejam retratados Jesus, Virgem Maria e um Orixá (3, 4 e 5) isso não é vilipêndio contra as religiões cristã, hindu, candomblecista e umbandista; e embora se exponha uma imagem de zoofilia (8) isso não é fazer apologia à ela. É preciso entender as obras em um contexto maior, que não passa pela incitação de sexualizar crianças, aceitação de sexo entre humanos e animais, muito menos menosprezo de religiões.

Uma das obras mais polêmicas, que fez com que a exposição fosse retirada de cartaz, foram as ilustrações das Crianças Viadas de Bia Leite (1 e 2). Com certeza você já deva ter ouvido falar dessa expressão e garanto que foi em um contexto bem pejorativo. As obras, na verdade, retratam pessoas LGBTQ+ em suas mais tenras idades e todo o preconceito que sofreram. Elas não foram com o intuito de sexualizar crianças, mas sim de mostrar como era a realidade das pessoas que se consideram LGBTQ+ atualmente. 




Outras que geraram polêmica foram a da Virgem Maria (3) e as de Jesus Cristo (4 e 7). Embora elas tragam figuras religiosas conhecidas, não significa insulto à religião. Pelo contrário, elas retratam as apropriações culturais, a miscelânea capitalista e o consumismo do Ocidente. A figura de Maria, por exemplo, traz um chimpanzé no colo, e até mesmo a Galinha Pintadinha. A de Jesus Cristo (4) vários símbolos do capitalismo - computador, coca-cola, quadro da Marilyn Monroe, entre outros. Esta última, por exemplo, mistura a figura de Jesus Cristo (cristianismo) com a do hinduísmo (deus Shiva) e conceitos ocidentais e orientais. De acordo com o autor Matisse a obra não é Jesus. "É uma pintura. É a minha cabeça, ponto. Me sinto bem à vontade para pintar o que quiser"

Aliás, outra imagem que gerou burburinhos foi a de Jesus Cristo com o pênis ereto (7), que de acordo com seu idealizador não tem a ver com perversão, mas com uma alusão à humanidade de Cristo. O sentido de trazê-lo crucificado significa mostrar o universo da sexualidade que mistura prazer e tortura. A obra não tem o intuito de discutir religião, mas questões sexuais e humanas através da figura de alguém crucificado, que poderia ser qualquer pessoa.

É interessante perceber que as obras, principalmente a de Jesus Cristo e da Virgem Maria, foram desaprovadas por cristãos. Contudo, uma das figuras de Cristo (4) traz conceitos de religiões orientais - mais precisamente do hinduísmo - e não tenho conhecimento de hindus que a questionaram. Por que será? Se vilipendiou a religião cristã, também vilipendiou a hindu, não concordam?! Aliás, não vi adeptos de religiões africanas, como candomblecistas e umbandistas, criticando a obra de um Orixá onde de sua cabeça sai um arco-íris que irradia pelo universo (5). 

Se o Brasil é um Estado Laico, porque interferir somente na representação do cristianismo? Se o Brasil é um Estado Laico, porque tomamos as dores apenas dos católicos e evangélicos? Retirar as obras de cartaz, através de um argumento que elas são uma blasfêmia à religião cristã, não seria ser parcial? Aliás, partir desse pensamento nos faz retornar à ideia do primeiro parágrafo desse texto: a de definir o que é arte ou não através de conceitos subjetivos e parciais que passam pelo que acho ser artístico e pelo que me afeta somente, e não a todos. No final, a minha opinião subjetiva passa a ser a de todas ou a da maioria das pessoas porque eu quis assim. Como, por exemplo, acreditar que a obra de uma menina com um vestido prateado e com um lenço colorido no chão (6) afeta não só as minhas crenças e visões de mundo, como de uma sociedade inteira. Isso a partir da doce ilusão que a arte é objetiva, concreta e tem somente um significado!

Aliás, o prefeito do Rio de Janeiro foi egoísta ao cancelar a exposição só por conta de suas convicções, visão de mundo e religião. PARA ELE, Jesus Cristo jamais poderia estar retratado como estava. PARA ELE, uma criança vestida daquela forma está sexualizada e, com certeza, é UMA CRIANÇA VIADA. PARA ELE, só importa defender os ideais cristãs, mas não os hindus, candomblecistas e umbandistas. PARA ELE, a exposição não é arte, mas um insulto, blasfêmia, apologia a pedofilia e zoofilia. PARA ELE....

A arte é subjetiva porque é representativa e reflexiva. Para mim, crianças representadas daquela forma (1 e 2) significa algo; para você, outra representação e análise; e, ainda, para o criador da obra, uma ideia específica, um conceito. Censurar subjetivamente uma exposição como essa, é retirar das pessoas a reflexão, opinião e pontos de vista. A arte foi criada pra ser refletida e analisada. A Queermuseu, especialmente, para discutir temas atuais sobre diversidade, identidade sexual, entre outros polêmicos. E discuti-los não é fazer apologia às Crianças Viadas, Zoofilia ou religião. É simplesmente incitar o debate.

Não é a primeira vez que uma exposição perde o seu propósito inicial e sua real significação. Quantas obras modernistas e de nus já sofreram represálias e reprovações, perdendo seu real conceito? Aliás, posso imaginar o escândalo que o Davi de Michelângelo gerou quando foi exposto pela primeira vez ou quando Picasso pintou aquela obra cubista com várias mulheres nuas. Mas, com o decorrer do tempo essas obras foram reconhecidas como arte e estão em museus TRADICIONAIS da Europa e dos Estados Unidos. 

Agora, são as do Queermuseu que tem gerado escândalo. Mas as que mais geraram polêmicas não trazem nus artísticos, perceberam isso? Hoje, o que escandaliza é a opção sexual do outro; são as representações artísticas das Crianças Viadas; e as visões de mundo Queer ou LGBTQ+. Em minha opinião, o que está sendo boicotado não é o teor sexual ou erótico das obras, mas a filosofia e visão de mundo LGBTQ+. No final das contas, os censores da exposição não querem discutir essas temáticas e querem que as outras pessoas não discutam também.

Ainda sonho com o momento que a arte não seja boicotada ou vista de forma objetiva, através de subjetividades. Em que as pessoas vejam a importância da arte para aumentar a intectualidade, produzir mudanças, reflexões e discussões. A arte é cultura, mas também é ensinamento e desvendamento dos olhos. Finalizo esse texto com uma frase de Umberto Eco: "Nós não sabemos exatamente como, mas sempre foi a arte que primeiro modificou nossa maneira de pensar, ver, sentir, mesmo antes e às vezes com um século de antecedência, que pudéssemos entender por quê." J-J


Por: Emerson Garcia

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Por que não escrevi mais por aqui?

Uma confissão de minha ausência | Jovem Jornalista/ desenho feito em aplicativo


Caros leitores, vocês merecem uma satisfação dos motivos que me levaram a me ausentar das publicações do Jovem Jornalista desde meados de setembro. Vamos lá:

1 - Estou me mudando definitivamente para a Caiena, Guiana Francesa. É lá onde meu pai vive e onde me encontro com parentes distantes da França Continental. Como meu filho está na Legião Estrangeira as coisas facilitam. Estou velho demais para viajar de Macapá (onde resido atualmente) para Caiena. e com certeza seria desumano demais obrigar alguém mais idoso que eu fazer o caminho contrário.

2 - Estou querendo descansar bastante. Apesar da gana e energia do ofício de jornalista eu ainda sou um ser humano. Infelizmente não cuidei bem da minha saúde. Decidi dedicar à ela e ter uma velhice tranquila.

3 - Por isso, a partir de 2018 não vou mais escrever todas as quartas-feiras ao JJ. Está decidido e não volto atrás. Porém, durante minhas conversas com o editor-chefe, Emerson Garcia, passei a considerar aparecer de vez em quando. Bem, em relação a isso deixo em aberto.

Até o início de 2018 estarei nas quartas-feiras no JJ. Que este texto seja um preparativo de uma futura despedida, definitiva ou não. Mas, quem disse que somos nós os donos do nosso destino?

Até mais, pessoal. J-J














Por: Pedro Blanche

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Primeiras Impressões: Young Sheldon

(Pode conter spoilers!)




Young Sheldon estreou o seu episódio-piloto no dia 25 de setembro. A série é o primeiro spin-off da bem-sucedida The Big Bang Theory - que está atualmente em sua décima-primeira temporada. 

Young Sheldon, como o próprio nome diz, visita o passado do físico bem-dotado, cheio de manias, que tem dificuldade de relacionar-se com as pessoas, Sheldon Cooper. Ele é uma criança de 9 anos de idade, que tem uma família desestruturada, uma irmã gêmea totalmente diferente dele e um irmão sem modos e educação. Além de problemas familiares, Sheldon ainda terá que lidar com sua superdotação e com o ingresso no Ensino Médio precocemente. A série, nesse sentido, já começou a abordar o desafio de uma criança-gênio conviver em família e sociedade.

A proposta de YS é bem inovadora em relação à TBBT. Veremos, com detalhes, todas as histórias que Sheldon relatou para seus amigos físicos acontecerem em tempo real; e descobriremos, juntos, como Sheldon tornou-se o antissocial, nerd, amante de quadrinhos, cheio de manias, que já conhecemos. Desse modo, YS vem para agregar à TBBT. Ela não é mais do mesmo, mas uma série bem diferente da original.

Diferente a começar pelo público a que se destina. YS não é para nerds, amantes de exatas, quadrinhos, jovens e cults; mas para a família, quem quer se emocionar com as cenas e histórias. E foram várias em que Sheldon interagia com sua família e outras que mais me emocionaram, do que me fizeram rir. 





Aliás, muitos podem se identificar com a família de Sheldon, com seus conflitos e relacionamentos. O primeiro episódio já mostrou muito disso, como: a relação entre Sheldon e sua irmã; entre ele e seu irmão mais velho, George; com sua mãe e seu pai. Mesmo que Sheldon seja o protagonista, os relacionamentos familiares também serão focados. YS abordou e abordará como é ter um filho superdotado na família, quais são as dificuldades e como os pais devem lidar com isso. É um prato cheio de criação de filhos.

YS já me marcou com momentos de fofura, como o que Sheldon aperta a mão de seu pai sem luvas, indo contra sua higiene exacerbada e antissociabilidade; a que o pequeno gênio vai até a missa com sua mãe Mary Cooper, mesmo não acreditando em Deus, mas "acreditando nela"; e a união fraterna entre Sheldon e Missy, mesmo sendo tão diferentes e com interesses próprios.

Se eu pesasse na balança os momentos que sorri e que me emocionei, com certeza esses últimos teriam um peso maior. Definitivamente YS não é uma série de comédia - embora tenha alguns momentos cômicos e divertidos - mas de drama e com várias lições. O humor é sutil e varia de pessoa pra pessoa, já que foi extinto o saco de risadas que havia em TBBT. Mas posso citar alguns momentos divertidos desse primeiro episódio, como o que Sheldon perde sua gravata borboleta em casa e o que ele é supersincero com os professores em seu primeiro dia de aula.

A série é narrada pelo ator que interpreta o Sheldon adulto - Jim Parsons - e isso já será um ponto que fará com que não esqueçamos da série original. Sua narração é mais emotiva, que cômica, o que trouxe um ar dramático como YS já se propôs.

As atuações dos atores estão bem redondinhas e na medida. O papel principal caiu como uma luva à Iain Armitage, que soube imprimir todos os trejeitos de Sheldon, mas sem se tornar artificial ou caricato. Isso porque o Sheldon é uma criança ainda e seu caráter e suas manias ainda podem ser bastantes lapidados. Zoe Perry e Raegan Revord também mandaram muito bem como Mary e Missy Cooper, mesmo que nesse primeiro episódio tenha se explorado mais a relação do Sheldon e sua mãe, do que dele e sua irmã. Mas as cenas de Missy foram bem divertidas e marcantes, como a que ela e Sheldon assistem TV e Sheldon quer ver algo que aprenda alguma coisa e Missy solta a seguinte pérola: "Mas TV não é para aprender nada".




O ar oitentista - mais precisamente 1989 - também trouxe uma característica própria para YS. Logo no início da produção temos uma música marcante da década. Os figurinos e a coloração da série também merecem destaque, assim como os eletrodomésticos e os eletroeletrônicos. A série é bem nostálgica nesse sentido.

Com YS, temos um novo Sheldon Cooper, por quem já me apaixonei e tenho admiração. O mini Sheldon é muito fofo e uma gracinha. Já pensaram o que esses dois não fariam juntos? E como seria legal um crossover entre as duas séries?

YS trouxe um excelente piloto. Dá pra perceber como os criadores tiveram cuidado e carinho para contar/recontar a história do físico mais ranzinza e antissocial que conhecemos. YS possui um potencial próprio, que independe do sucesso e dos fãs de TBBT. Creio que a série possa ser exibida por pelo menos cinco temporadas. Agora é aguardar dia 02 de novembro quando ela volta em definitivo. J-J






Por: Emerson Garcia
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